Locutor-sama: Estou em um confortável vagão de primeira classe, mas pouparei vocês de grandes detalhes, queridos leitores, pois a senhorita Moon não é grande conhecedora de trens muito menos de primeira classe.
Tuta-sama: Eu devia imaginar.
Locutor-sama: O que, Tuta-sama?
Tuta-sama: Que eu não iria poder tomar minha bebida tranquilamente aqui, em um vagão de primeira classe porque viria o narrador me incomodar.
Locutor-sama: Também está muito agradável a sua companhia, minha cara Tuta-sama. É sempre um honra poder acompanhar as suas aventuras.
Tuta-sama: Contra a minha vontade.
Locutor-sama: Um narrador sempre deve fazer o seu trabalho. Mesmo que possa ser criticado por causa disso!
[Alguém bate na porta do vagão de trem.]
Tuta-sama: Ah, pronto. Mais uma coisa para me incomodar!
Locutor-sama: Acalme-se, Tuta-sama. Pode ser alguém passando vendendo doces!
Tuta-sama: Nunca é algo tão agradável assim. Não me iluda.
[O narrador decide se levantar, para ver quem está a porta.]
Locutor-sama: Senhorita Hello! É você.
Tuta-sama: Pronto. Sempre tem como a coisa ficar melhor ainda!
Locutor-sama: Não diga isso. Temos que ser educados com os vizinhos de vagão.
Hello: Vizinha! Que bom te ver. Você tem um jornal?
Tuta-sama: Não acredito que você bateu aqui para pedir um jornal.
Hello: Você ouviu o que o narrador falou. Temos que ser educados com os vizinhos de vagão!
Tuta-sama: Está concordando com ele só pela sua conveniência de situação.
Hello: Ah francamente Tuta, você não tem um jornal com você?
Tuta-sama: Eu tenho cara de jornaleira, por acaso?
Hello: Você tem cara de ser uma pessoa bem informada.
Tuta-sama: Eu não sou uma pessoa. Sou uma guaxinim!
Hello: Ótimo ponto.
Locutor-sama: Ainda assim é bem informada.
Hello: Agradeço por me apoiar.
Locutor-sama: Não há de quê. É sempre bom ter alguém para ajudar-me a elogiar a Tuta-sama.
Tuta-sama: Minha nossa! Tudo isso por um jornal.
Locutor-sama: Não será um jornal qualquer, é um jornal dado pela guaxinim Tuta-sama.
Hello: A grande guaxinim! A mais poderosa de toda a galáxia.
Tuta-sama: Normalmente eu aprecio elogios, mas hoje eu só queria aproveitar meu vagão de primeira classe. E a minha bebida, é claro!
[Hello senta no banco ao lado da Tuta.]
Tuta-sama: Sem falar que vocês dois são muito chatos!
Locutor-sama: Eu não sou chato.
Hello: Nem eu! Sou apenas uma pessoa determinada em ser insistente.
Tuta-sama: Não precisa me explicar “chato” com outras palavras. Dá tudo no mesmo.
Hello: E afinal, qual é a graça de viajar sem ter companhia?
Tuta-sama: Eu tenho a companhia da minha incrível presença. Mas já vi que não vou ter escolha a não ser aturar vocês dois.
Pinguins são legais, deve ser porque já nascem com um estilo maneiro que lembra terno e gravata.
[A autora está furiosa, sentada no banco do vagão de trem, com os braços cruzados. Ela está em silêncio. O pinguim está na janela, olhando para o lado de fora. Quando finalmente percebe o mal humor da Moon, ele fica confuso.
P-san: O que há com você, autora? Não entendo pra que essa cara. O nosso vagão tem ar condicionado! Até podemos usar sons ambientes para relaxar, enquanto nós estamos a caminho do-
Moon: Ah! Só agora você reparou que estou mal humorada.
P-san: Bom, eu estava com o meu pensamento longe.
Moon: E o ar condicionado, apesar de estar funcionando bem, não vai resolver meu problema.
P-san: Então, seu problema não é calor.
Moon: É óbvio que não é o calor, o problema. O problema é o seguinte.
[A autora fica em silêncio, fazendo um suspense completamente desnecessário]
P-san: E o que seria? Você não precisava ter parado para pensar.
Moon: Eu estou pensando, porque eu ia reclamar de que está demorando para chegar o nosso destino, meu amigo.
P-san: Ah. Devia ter imaginado. Você é uma criatura impaciente, autora.
Moon: Mas como posso reclamar disso??
P-san: Ué. Reclamando. Como você acabou de fazer!
Moon: Eu não posso reclamar, ainda não entendeu?
P-san: Não entendo. Quem vai te impedir? A polícia anti reclamação? Se é que isso existe.
Moon: Escute, pinguim. Eu estou escrevendo a história. Criei uma saga do vagão de trem, para compensar esses tempos que estou sem meu escritório…
P-san: É uma opção estranha para se escolher, mas tudo bem. Prometo que não estou julgando. Talvez secretamente. Afinal, um vagão de trem não é um escritório.
Moon: Entendo o seu ponto.
P-san: Mas onde você quer chegar? Seja mais clara na sua escolha de palavras, por favor.
Moon: Eu não sei para onde nós estamos indo! E o enredo é responsabilidade do autor.
P-san: Ora! É lógico que você sabe onde nós estamos indo.
Moon: Sei?? Não acredito que disse isso.
P-san: Disse, sim.
Moon: Mas me diga. Se eu sei para onde nós estamos isso, que é uma errada suposição sua, onde é nosso destino?
P-san: Olha, acabou de falar o nome do lugar. Não entendo o porque de você dizer que não sabe.
Moon: Está querendo me dizer…
P-san: Sim. Estou querendo dizer o que está achando que quero dizer! Ah. Falar sem vírgulas, é uma coisa muito difícil.
Moon: O lugar se chama destino??
P-san: Destino com a letra maiúscula. Esqueceu que o substantivo que nomeia lugar tem essa regra?
Moon: Eu… Não sei.
P-san: Não se preocupe, o Destino é um lugar legal!
Moon: Está bem, está bem. Vou confiar em você.
Ultimamente a mente mente. Português é muito difícil, quando você para para pensar.
[A autora está em cima de uma moto, em um épico cenário de deserto. E isso não tem nada a ver com o calor que está fazendo no mundo real, todo mundo sabe que passeios de moto ficam mais maneiros com um deserto no fundo!]
Lalali: Autora, você não está realmente no deserto, andando em uma moto! É um cenário de mentirinha e tem uma ilusão para ele se movimentar.
Cola-sama: sem falar que você está passando muita vergonha, enquanto imita barulho de buzina. Sendo que você odeia buzina!
Lalali: Enfim, a hipocrisia. Sempre quis uma oportunidade para usar esse meme!
Cola-sama: Autora está pagando mico e você está usando meme. Isso está só melhorando. Que vida emocionante que eu levo
Moon: Me deixem viver! O que importa não é o destino, é a jornada para chegar até lá. Nos torna pessoas muito melhores do que no início, e se deixar vira filme para tocar repetidamente em sessão da tarde.
Lalali: Que ilustre.
Cola-sama: Você tem noção, que você está indo pelo menos lugar e não chegando a lugar nenhum?
Lalali: Ah! A moto é de brinquedo.
Cola-sama: Nunca pensei que viria uma moto de brinquedo desse tamanho.
Lalali: Fazem cada coisa ultimamente!
Cola-sama: Que desperdício de materiais. Poderiam usar isso para a uma loja que vende pão de queijo. Mas não, criam motos de brinquedo do tamanho das reais.
Lalali: E a moto ainda por cima não funciona!
Cola-sama: Imagine só se uma moto de brinquedo, se tornasse um novo meio de transporte.
Lalali: Isso seria meio doido.
Cola-sama: Isso seria completamente doido!
Moon: Ei! Ei.
Cola-sama: Agora você deve estar precisando de ajuda para descer.
Lalali: Segure minha mão, eu te ajudo.
[A Moon desce da moto de brinquedo e está indignada com as duas personagens. O cenário fica completamente deixado de lado na conversa.]
Moon: Vocês duas estão perdendo o foco da história!
Cola-sama: A história não tem foco.
Moon: Só porque não parece ter foco, não significa que-
Lalali: Foco da história? Que foco? Não começou sem pretensão alguma a escrever essa história, com o pretexto de parecer maneira enquanto está dirigindo uma moto?
Moon: Puxa vida, Lalali, eu não esperava isso vindo logo de você.
Lalali: Não quero ser rude, Moon, é uma pergunta sincera. Dá para parecer maneira em uma moto de brinquedo?
Cola-sama: Ah pronto, a chefe das ideias gostou da ideia.
Lalali: Ora, o mundo lá fora está literalmente de cabeça para baixo, tudo porque alguém pegou o globo da nossa dimensão e inverteu. Qual o problema de gostar de uma ideia de querer parecer maneira?
Moon: Como é quê é? O globo dessa dimensão tá invertido?
Cola-sama: Talvez eu também queira tentar andar em uma moto de brinquedo.
Moon: Mas…
Lalali: Estamos apenas seguindo seu exemplo, eu não entendo porque está tão confusa, autora.
Moon: Agora sou eu que não sei para onde foi o foco dessa história…
Não dá para entender muita coisa, mas o que dá para entender é: o mundo está ficando cada dia mais maluco.
[A Cola-sama entra no escritório da autora, e ela lá está, olhando para uma televisão. A televisão está mostrado um ambiente criado em 3d, uma sala de estar. Chove no mundo artificial, e tem barulho de lareira. É tão esquisito quanto parece, e a personagem está chocada.]
Cola-sama: Autora… O que você está fazendo?
Moon: *em silêncio, continua assistindo.*
Cola-sama: Olhando melhor agora, não há nada aqui, além da televisão. E você está sentada no chão, e ainda por cima com treze anos de idade!
[Nada acontece. Na verdade acontece sim, mas é importante frisar que apareceram essas palavras na televisão, e Cola-sama levantou assustada de sua cama. Corta a cena para a parte que, ela está deitada em um divã e conversando com o Wolf, como se fosse o psicólogo.]
Cola-sama: Eu não entendo como tive um sonho assim! Completamente bizarro. Doutor, sabe qual foi a coisa que mais me apavorou?
Wolf: Não?
Cola-sama: O fato que a Moon tinha treze anos. Não quero aturar ela com treze anos novamente!
Wolf: Isso é bastante específico. Tem certeza que não é apenas exagero da sua parte?
Cola-sama: Um psicólogo de verdade nunca me diria isso.
Wolf: Eu não sou um psicólogo de verdade.
Cola-sama: Então o que estou fazendo aqui, conversando com um lobo verde?
Wolf: Não sei. Ah! Não diga que você tem alguma coisa contra lobos verdes.
Cola-sama: Eu não tenho nada contra lobos verde-
Wolf: Sabia! Você tem alguma coisa contra lobos verdes.
Cola-sama: Mas isso foi completamente oposto do que eu disse-
Wolf: Caramba! Assim não dá.
Cola-sama: Sou eu que entro em um sala de psicólogo, e você está no lugar de um profissional competente, eu que devia estar reclamando.
Wolf: Estou ensaiando para o meu papel no teatro.
Cola-sama: Ah é? E quanto a mim?
Wolf: Você provavelmente não está bem. Está com peso na consciência! É melhor fazer a coisa certa, para poder se libertar dessa sensação.
Cola-sama: Você… Está me dando um bom conselho?
Wolf: Mesmo não sendo um profissional competente e habilitado pra isso!
[Cola-sama sai do consultório e pega o seu celular. Ela telefona pra autora.]
Cola-sama: Tinha que me fazer ir em um psicólogo falsificado??
Moon: Nem fala alô. Que falta de educação!
Cola-sama: Ah, desculpe! Está me preocupada demais me questionando, do porque um lobo verde faria faculdade para se tonar um psicólogo, quando seio lá, ele poderia fazer qualquer outra coisa porque parece ser meio maluco.
Moon: Específico demais. Tchau! *desliga o telefone*
Cola-sama: Francamente!
Nada melhor que ouvir um barulho de chuva, chuva artificial com barulho lá fora!
Moon: Bom dia! Nesse momento, eu estou presente no esconderijo da personagem Hello. Não há nada de interessante para destacar em relação ao cenário, pois não mudou muita coisa das outras vezes que aconteceram histórias aqui. Porém! Isso mudará agora…
[Hello entra no esconderijo. A autora fica parede, com as mãos na cintura.]
Hello: Moon! O que está fazendo aqui?
Moon: Eu estou… eu estou… estava apenas passando por aqui. Nada demais. Não que eu planejasse trazer a minha mesa e o meu telefone decorativo para cá. Não. Imagine! Eu respeito muito o seu espaço, e é por isso que estou aqui, apenas colocando minhas mãos na cintura e olhando para você, com respeito!
Hello: Você não está falando coisa com coisa.
[Hello está segurando sacolas de compras.]
Moon: Eu confesso que realmente sinto que não estou falando coisa com coisa, mas você também não parece estar prestando atenção.
Hello: *coloca as compras em cima da mesa* É. Realmente não estava prestando atenção. Mas você não precisa trazer sua mesa para cá!
Moon: Está bem. Não vou trazer a mesa pra cá!
Hello: Um item decorativo não vai servir para muita coisa. Diferente das coisas que comprei pra trazer aqui!
Moon: O que você comprou, afinal?
Hello: Comprei cerejas.
[As cerejas parecem as frutas que aparecem no jogo de Animal Crossing.]
Moon: Mas… Mas… para quê vão servir essas cerejas?
Hello: Ora, autora! Abra a sua mente. Cerejas são cerejas.
Moon: Pronto. Agora é você que não está fazendo sentido! Isso é por todas as vezes, por todas as histórias que nunca escrevi, que ficaram apenas na minha cabeça? Ou é por todos os projetos que comecei e nunca terminei?
Hello: Não é porque você não entenda, que não vá fazer sentido pra mim.
Moon: Eu esqueço de uma coisa. De uma coisa muito essencial!
Hello: Que coisa?
Moon: Que você é alienígena.
Hello: Ah. É verdade. E também sou, ao menos para você, um personagem ficcional. E isso significa que nossas perspectivas do mundo são bastante diferenciadas.
Moon: Ok… Essa história está cada vez mais maluca… Já estou desistindo de entendê-la.
Hello: É que você não se deixa levar pelo momento.
Moon: Você comprou cerejas iguaizinhas as de Animal Crossing. E você quer que eu me deixe levar pelo momento? Francamente!
[A autora vai embora.]
Hello: Será que devia ter mostrado pra ela, que estou montando uma decoração de natal diferenciada, que vai parecer as árvores de frutas de Animal Crossing? *olha para os lados* Ah, paciência. Ela já foi embora!
Aquele que luta por um futuro melhor, pois a cidade de Animal Crossing não será cuidada sozinha.
Rika: É um ótimo momento para eu ir visitar o meu amigo Locutor-sama. Vamos ver… *está na frente da porta do apartamento, do lado de fora* Para variar, acho que eu vou tocar a campainha. É. Eu tenho a chave e já entrei pela janela, mas vamos agir como as pessoas normais.
[Rika finalmente toca a campainha, após parar de falar sozinha.]
Rika: Locutor! Sou eu, a Rika.
[Para a surpresa da personagem, não é o narrador que atende a porta, e sim a autora das histórias.]
Rika: Moon! O que faz aqui?
Moon: Decidi fazer daqui o meu escritório. O Locutor não está em casa. *depois que Rika entra, fecha a porta*
Rika: Você vai bagunçar a casa dele?
Moon: Eu vou usar aqui como meu escritório. Você não escutou o que eu disse?
Rika: Escutei, mas pensei que faria alguma coisa SINISTRA.
Moon: Posso criar um escritório sinistro. Cheio de caveiras maneiras.
Rika: ISSO seria divertido. Caveiras roqueiras ou metaleiras?
Moon: As duas caveiras. Talvez até caveiras com chapéu de mágico!
Rika: Vou procurar se tem vendendo na internet… O que é isso?
Moon: É a minha mesa. Nunca viu? Mesa, Rika. Rika, esta é a minha mesa de escritório. Seja gentil com ela, passa por maus bocados para ser transferida de um lado para o outro.
Rika: Caramba. Tem até um telefone vermelho!
Moon: Não é bonito? É um item decorativo. E meu orgulho.
Rika: Mas se eu tentar ligar para ele, vai me fazer uma decoração também?
Moon: Rika, você já está falando baboseiras. Foco! Precisamos de caveiras.
[Rika pega o celular para procurar.]
Moon: O Locutor tem um apartamento bom demais para ele. Deveria transformar isso aqui como o meu escritório oficial!
Rika: E o que vai acontecer com o seu escritório?
Moon: Sei lá. A Cola-sama que fique com ele.
Rika: Caramba.
Moon: Achou as caveiras?
Rika: Eu encontrei. Melhor sair para comprar.
Moon: Não, faça entregar aqui.
Rika: Mas o Locutor vai chegar e a festa vai acabar.
Moon: Primeiro, isso não é uma festa. É uma decoração séria, de um escritório de uma autora com muita dedicação ao seu trabalho. Segundo, eu posso simplesmente fazer essas caveiras aparecerem.
Rika: Mas é melhor você dar uma explicação plausível, para os seus leitores.
Moon: A minha explicação plausível é simples. Eu sou a autora, e posso fazer as coisas aparecerem quando eu quiser.
Rika: Estou ouvindo o barulho da chave. O Locutor já chegou.
[Locutor aparece na sua sala de estar, e não parece surpreso com a presença da autora.]
Locutor-sama: Senhorita Moon, você… *olha ao redor e vê as caveiras.* Por favor, tire as caveiras daqui.
Rika: Falei que ele iria acabar com a festa.
Moon: Sem graça. São caveiras cartonizadas!
Locutor-sama: E aqui é minha casa.
Moon: Droga, não posso refutar esse argumento!
Os movimentos certos, trazem uma novidade… Você desbloqueia o Luigi! Ou ganha o bigode falso, igual o dele, sei lá.
Hello: Estou aqui novamente no meu esconderijo. Trouxe alguém para me fazer companhia, e convidei antes, diferente da autora que coloca personagens aleatoriamente, sem pedir permissão primeiro! *sentada no sofá*
Rosalina: *sentada em outro sofá* É um esconderijo maneiro, mas realmente precisávamos vir aqui por teletransporte?
Hello: Ora, eu comprei esses teletransportes em uma excelente promoção de Black Friday, no planeta das coisas caras e duráveis, acha que eu ia desperdiçar? Lógico que não.
Rosalina: É um nome bem específico para um planeta.
Hello: Também acho. Mas isso significa uma coisa importante. É mais fácil encontrá-lo nos catálogos dos planetas.
Rosalina: Por alguma razão, não me surpreende em saber que existe um catálogo de planetas.
Hello: Esse é o espírito! Não se deixe surpreender.
Rosalina: É um catálogo, com design de cardápio de restaurante?/
Hello: Caramba! Como você sabe?? Você é vidente?
Rosalina: Não. Estou vendo ele ali, na estante.
Hello: É. Ele está ali mesmo.
Rosalina: Tem como você pegar pra mim? Ele parece cuidadosamente colocado, e não quero derrubar os livros da estante em cima de você. Por favor?
Hello: Mas é claro Rosalina! Você é uma funcionária esforçada, e nesse momento de nós duas, eu é que vou te dar uma folga.
Rosalina: Obrigada.
Hello: Não precisa me agradecer. Você é minha funcionária favorita.
Rosalina: Eu já ouvi você dizer isso, e foi para outra pessoa.
Hello: Uma pessoa inteligente se cerca de mais de um funcionário competente. Não posso ter mais de um favorito?
Rosalina: Esteja à vontade.
Hello: Além do mais, chefes devem saber elogiar seus funcionários. Agora, o que eu ia fazer mesmo?
Rosalina: Pegar pra mim o catálogo de planetas.
Hello: Ah sim! *levanta do sofá e fica em pé em frente a estante* Vamos ver… Olha ele aqui! *retira o catálogo da estante*
Rosalina: Nunca vi um catálogo de planetas.
[Hello entrega o catálogo para Rosalina]
Rosalina: É uma coisa bastante original.
Hello: Nem tanto. Esse não é o primeiro catálogo de planetas que eu tenho.
Rosalina: Como assim?
Hello: Foi uma fase.
Rosalina: Ah! Uma fase que você colecionava catálogos.
Hello: Está quase certa, minha cara Rosalina.
Rosalina: Então…
Hello: Estava em uma fase que eu queria comprar planetas.
Rosalina: Não me surpreende em nada, essa informação. Vindo de você, tudo é possível.
Hello: Que reação desapontadora.
Rosalina: OI? Já te conheço a certo tempo, é difícil que você me surpreenda.
Hello: Ah. Era para você perguntar se existem planetas à venda!
Rosalina: Existem?
Hello: Existem.
A vida é cheia de escolhas, inclusive a de acreditar que o formato da Terra não é uma coisa redonda. Estranho, não?
Moon: Estou aqui, sentada no banco de um vagão de trem. Olho pela janela, e vejo o movimento. Oh! Como a vida é passageira. Ou seríamos nós, os passageiros?
Sabrina: Autora?
Moon: Observo a paisagem, o céu e os arbustos são da mesma forma. Será que estamos em Super Mario Bros, o primeiro jogo da franquia…
Sabrina: Autora!
Moon: Se não tiver um pão de queijo para me oferecer, pra quê está falando comigo?
Sabrina: Autora, eu estava no meu quarto, lendo um livro, quando de repente apareci dentro desse vagão de trem.
Moon: E daí? Parece que você quer chegar em algum lugar.
Sabrina: É lógico que quero chegar a algum lugar, Moon! Isso deveria ter alguma explicação coerente. Como cheguei aqui? Qual é o destino desse trem?
Moon: Quanta ingenuidade da sua parte, minha cara Sabrina.
Sabrina: Não vejo nada de ingênuo, querer uma explicação razoável de porque fui teletransportada aleatoriamente para cá!
Moon: Primeiro, eu precisa de alguém para me fazer companhia. Segundo, você parece que não sabe que as minhas histórias são cheias de coisas sem explicações. Terceiro, você poderia me fazer um favor?
Sabrina: Depende do favor. Eu já estou fazendo companhia pra você, e sem ter tido minha autorização primeiro!
Moon: Não me faça muitas perguntas. Questionamentos tiram todo o clima de uma boa história.
Sabrina: Nós duas temos visões diferentes, do que faz uma boa história.
Moon: Um bom autor já sabe as respostas, até antes dos leitores perguntarem.
Sabrina: Até aí eu concordo.
Moon: Exceto quando os leitores cismam em fazer perguntas que não tem relação nenhuma com o enredo.
Sabrina: Do tipo?
Moon: De qual casa de Hogwarts o personagem é?
Sabrina: Mas ninguém te perguntou isso, autora.
Moon: Eu sou da Sonserina, mas isso também ninguém me perguntou.
Sabrina: Francamente.
Moon: Francamente nada! Como você se sentiria, se estivesse sem o seu escritório?
Sabrina: Autora, você pode voltar para o escritório quando quiser. Não entendo o motivo para todo esse drama…
Moon: Ora, uma história precisa de drama. Personagens precisam de arcos! Até mesmo eu.
Sabrina: Você não é uma personagem.
Moon: Ninguém é personagem, na verdade. Somos todos atores interpretado papéis.
Sabrina: Por favor, não comece a tentar inventar reviravoltas de enredo.
Moon: Mas é preciso de reviravoltas!
Sabrina: Vamos apenas aproveitar a viagem.
Moon: Esse é o espírito!
Sabrina: Eu não tenho outra escolha, até essa história acabar.
Moon: Você fala como se fosse uma coisa ruim. Esse vagão tem ar condicionado, e não é você que tem que pagar a conta.
Sabrina: É. Não é uma coisa ruim.
Moon: Eu falei!
Falar é uma coisa, dizer é outra. Pois são palavras diferentes. O quê? Está dizendo que são SINÔNIMOS? Que maravilha é a língua portuguesa.
Hello: Estou aqui em um esconderijo secreto, e por causa de ser uma coisa dessas não irei revelar a localização! É um cantinho que tem um sofá confortável, e uma forma de esconder-se do mundo, e tomar chá. Claro! O que as pessoas fazem em um esconderijo? Elas se ESCONDEM.
[Hello está prestando atenção na chuva que está do lado de fora. Há também uma estante de livros, e um forno a lenha.]
Hello: Nada pode tirar a minha paz aqui! Nada.
[A personagem olha para os lados, enquanto segura um livro aberto entre as mãos. Ela acaba ficando decepcionada, quando percebe que começa a ficar entediada]
Hello: Preciso de alguém, para me fazer companhia! Autora?
Moon: *aparece do nada*
Hello: *fecha o livro* De onde você veio?
Moon: É só dizer meu título, autora, e eu apareço se for necessário.
Hello: Mas isso não tem nenhuma lógica!
Moon: Lógica tem que ir pela janela, tipo as bolas de frescobol que perdi, quando morava num apartamento que tinha quintal.
Hello: Que história triste. Mas elas caíram pela janela?
Moon: Joguei por cima da parede, no quintal.
Hello: Então sua frase nem fez sentido!
Moon: Você está sendo muito apegada aos detalhes.
Hello: Estou mesmo. Gostou do meu esconderijo?
Moon: Gostaria mais se soubesse onde está localizado.
Hello: Mas o ponto de um esconderijo, é não saber a sua localização.
Moon: Bom ponto. Pena que meus bons argumentos ficaram no meu escritório.
Hello: Quem guarda argumentos dentro de um escritório?
Moon: Pessoas responsáveis e adultas.
Hello: Ah.
Moon: É só para lembrar, que ainda estou sem meu escritório. Ainda não esqueci dessa emocionante saga!
Hello: Mas eu não perguntei.
Moon: Mas devia ter perguntado! Que falta de sensibilidade de sua parte.
Hello: Não quis ser insensível, desculpe. Só estava sendo honesta! Já bebeu água hoje?
Moon: Já! Eu sou a Moon mais hidratada do Brasil.
Hello: Que frase estranha!
Moon: Concordo. Era mais engraçada na minha cabeça.
Hello: Você é um tanto estranha, autora.
Moon: Não queria ouvir isso, vindo de você!
Hello: Não diga uma coisa dessas, autora. É uma honra ouvir isso de uma pessoa como eu.
Moon: Você diz cada coisa.
Hello: Sim! Eu tenho que dizer cada coisa. Afinal de contas, o que seria do mundo sem os meus dizeres?
Moon: Um mundo menos confuso.
Hello: Confuso? Agora eu que não quero ouvir isso, vindo de você.
Moon: As palavras apenas vem na minha cabeça. Eu apenas a escrevo! Não tem nanada de confuso.
Hello: Tá bom, tá bom.
Um trato tem que ser feito com muito jeito, caso contrário, nada de trato!
Locutor-sama: A história de hoje, irá se passar dentro de um vagão de trem. Uma escolha bastante peculiar da senhorita Moon, sendo que ela NUNCA viajou de trem. Muito menos em um vagão com tanta classe quanto esse.
Rika: Que horror, Locutor! Será que tem como você ser menos pretensioso??
Locutor-sama: Não sei do que você está falando. Não estou sendo pretensioso. Só estou lendo as falas que a autora escreveu pra mim.
Rika: Que desculpa esfarrapada.
Locutor-sama: Não é uma desculpa esfarrapada.
Rika: É uma desculpa esfarrapada, sim. Se não fosse pela a autora, nós estaríamos aqui?
Locutor-sama: Vamos deixar de lado essas questões existenciais.
Rika: Está bem. Olha, eu também nunca tinha andando de trem!
Locutor-sama: Caramba.
Rika: Você está com tanta pretensão, mas aposto que também NUNCA andou de trem.
Locutor-sama: É possível que você esteja correta.
Rika: Isso não é responder nem sim, nem não.
Locutor-sama: Um bom narrador faz um mistério, quando se trata de suas próprias experiências.
Rika: *senta no lado do banco, perto da janela* Francamente, Locutor.
Locutor-sama: Francamente nada!
Rika: Francamente, sim.
Locutor-sama: Francamente, até quando a senhorita irá pegar no meu pé?
Rika: Mas não estou pegando no seu pé!
Locutor-sama: Estou falando no sentido metafórico.
Rika: Ah, pronto. Começou a falar de sentido metafórico.
Locutor-sama: Qual o problema de sentido metafórico?
Rika: O problema do sentido metafórico, é que o literal foge pela janela.
Locutor-sama: Você já deve ter visto cada coisa.
Rika: Você estava lá também! Lembra, Bonnibel?
Locutor-sama: Não estava lá. A minha versão de garota mágica que estava.
Rika: Dá tudo na mesma.
Locutor-sama: Tá. Eu irei concordar com você, Rika, só para pararmos de argumentar por coisas fúteis.
Rika: Mas existem argumentações que são úteis?
Locutor-sama: Em termos acadêmicos, sim.
Rika: *olhando pela janela* Ah.
Locutor-sama: Você está exigente, hoje.
Rika: Alguém tem que ser. Caso contrário, você folga!
Locutor-sama: Absurdo. Eu nunca folgo.
Rika: Esse vagão de trem tem sofás bem confortáveis, não acha?
Locutor-sama: É agora que a senhorita decide mudar de assunto!
Rika: Ué, já que estamos aqui, vamos apreciar o conforto em nossa localização nesse trem.
Locutor-sama: Você tem razão, Rika. Mas até que ponto nos conseguiremos fazer isso?
Rika: Não entendi o motivo de você dizer isso.
Locutor-sama: O conhecimento da autora sobre trens é bastante limitado.
Rika: Mas isso não impede de termos a autora escrevendo sobre isso, e final da história!
Locutor-sama: Bom, ela está usando um vagão de trem como plano de fundo. Teoricamente não é sobre isso.
Rika: Teoricamente. Ainda assim, é.
Locutor-sama: Está bem. No final, não faz diferença.
